O vício do açúcar

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Na medicina chinesa o doce é o sabor que, em quantidades moderadas, estimula os órgãos digestivos – o baço e o estômago, que influenciam não só a digestão (de alimentos e de ideias), como o sentido do paladar, a nutrição dos músculos, a produção de sangue, a manutenção dos órgãos na sua posição e a capacidade de concentração.

Mas quando falamos de alimentos doces não falamos de sobremesas nem de bolachas. Falamos sim de alimentos de natureza doce como o milho, a cenoura, a abóbora, a batata, o inhame, a ervilha, a couve, a batata-doce, a soja, o arroz, a castanha, o alperce ou a meloa. Mas se mesmo estes alimentos, quando ingeridos em excesso, causam um desequilíbrio nestes órgãos, imagine o que fazem aqueles aos quais é adicionado açúcar.

Quando temos vontade de comer um doce, raramente nos contentamos com um alperce ou uma cenoura. Procuramos antes um bolo ou um chocolate para satisfazer essa vontade. O problema é que o corpo não está preparado para receber tanta quantidade de açúcar e acaba por ser um excesso de doce que em vez de tonificar o baço, enfraquece-o. E quanto mais açúcar comemos, mais queremos comer porque o seu comportamento no corpo é igual ao de uma droga. Na realidade, o açúcar é 8 vezes mais viciante que a cocaína, de acordo com um estudo recente, a propósito do qual li “afinal é só mais um pó branco”.

Isto significa que a dificuldade que a maioria das pessoas têm em reduzir a ingestão de açúcar não tem só a ver com força de vontade, mas com uma adicção. Como tal, é necessário desintoxicar o corpo, substituir os alimentos açucarados pelos de natureza doce e prevenir os sinais de abstinência como irritabilidade, ansiedade, dor de cabeça, falta de concentração e cansaço através da acupunctura, auriculoterapia e fitoterapia, se necessário.
 

Filipa Ribeiro